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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Ruas da Vida


"Em tempos de sofrimento e de dor abraçar-te-ei e embalar-te-ei, e tomarei o teu sofrimento e fá-lo-ei meu. Quando choras, eu choro, e quando sofres, eu sofro. E juntos tentaremos conter as marés de lágrimas e desespero e conseguir passar os buracos negros das ruas da vida."

domingo, 18 de julho de 2010

Desespero

"No desespero e no perigo, as pessoas aprendem a acreditar no milagre. De outra forma não sobreviveriam."

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Porque a SAUDADE existE

"A primeira saudade é a de um bem-estar fulgurante e tranquilo, de uma sensação que inunda alma e corpo por dentro e que nos leva a sentir que nada está fora do seu lugar, que se está certo nesse lugar e certo na relação de um com o outro, que tudo é musical e luminoso, que a harmonia está numa compreensão íntima a vir de uma tensão permanente de ternura, inteligência, sensibilidade e desejo.

A segunda saudade é a de ver e ouvir, de perto, de se estar ao pé um do outro, de haver olhos que se olham, caras que se vêem, risos deslumbrados que se têm, palavras que se dizem ou é como se fossem ditas, gestos que se fazem ou apenas se esboçam, e de se sentir que nisso se é naturalmente intencional nos recados que se dão por cada um desses meios, como se é naturalmente capaz de adivinhar e de decifrar tudo o que se quer realmente dizer.

A terceira saudade é a que se liga aos momentos mais importantes que se vivem, passeios e paisagens, deambulações, pessoas que se passam a conhecer, coisas que se contam, confidências repentinamente tornadas necessárias, sonhos e palpites, expressões que se surpreendem, efeitos de luz, flores, ruídos do campo e do mar, músicas tantas vezes ouvidas quando se atravessa a noite, cores e sabores, emoções em que o íntimo e o de fora se combinam de um modo único e partilhado como não se pode acreditar que a mais ninguém tenha acontecido, em que o que já se passou continua a estar presente e é cada vez mais intenso e activo.

A quarta saudade é a do contacto da pele: mãos que se apertam e percorrem, afagos que se aventuram, bocas que se encontram, sensações que se sabem de cor e se querem inesgotáveis, corpos à beira de explodir ansiosos, tanta fome e tanta sede, liberdade e pudor, impaciência e timidez, contenção e promessa, tudo a renovar-se e a tornar-se ilimitado a cada momento, repassado de uma doçura que nenhumas palavras conseguem descrever.

A quinta saudade é a da vida prática do dia-a-dia, ideias e projectos, tentativas e certezas, coisas que têm conta, peso e medida, espessura, ritmo, existência concreta, efeitos reais, coisas que são vão criando porque se está a remar na mesma direcção e se tem a consciência disso, coisas que são reciprocamente induzidas e aperfeiçoadas, combinações de risco e de bom senso que se sente que resultam graças a esse empenhamento e a uma alegria da seriedade com que são postas em andamento.

A sexta saudade é a que faz com que um esteja sempre a falar com o outro e a fazer parte dele, a respirar nele e a existir nele, veia a veia, fibra a fibra, tecido a tecido, músculo a músculo, a ter de dizer-lhe sempre do seu amor das maneiras mais variadas e a propósito das situações mais diversas, com efeitos de luz e sombra, veemência e desvario, ansiedade e contentamento, sem nunca querer ou ser capaz de distinguir esse amor da própria vida e a só conseguir ser feliz assim.
A sétima saudade é a mistura transbordante de todas as anteriores, criando uma dimensão em que cada uma delas leva a todas as outras e recupera todas as outras, como se estivesse a olhar um caleidoscópio, ou como se estivesse dentro dele e se fosse parte activa desse universo de reflexos interactivos, de brilhos, jogos de espelhos, formas coloridas, tempos sempre em mutação, espirais alucinantes mas invariavelmente ancoradas no coração das coisas e no coração propriamente dito e uníssono: é uma saudade que funciona como uma espécie de cursor no tempo, deslizando para trás e para a frente, girando em todas as direcções, revivendo as anteriores, inventando as próximas, entrançando umas e outras, agarrando-se a esperanças, sobressaltando-se com acasos, e sofrendo, sofrendo, sofrendo, só de pensar que se pode estar a uma distância de dias ou de apenas umas horas. "
Vasco Graça Moura in "Meu amor, era de noite"

sábado, 19 de junho de 2010

Saberei??


Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.
(Fernando Pessoa)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Porque choras...

Oh dia?!

Olho para ti e vejo-te triste!

Caminho contigo e não me acompanhas.

Falo contigo e não me respondes!

Tento sentir o bater do CORAÇÃO,

Mas ele não bate.

Apenas sinto lágrimas...

Lamentos...

Suspiros!

Porque choras oh dia?

Andas distante.

Sozinho...

Partilha essa tristeza...

Liberta-te dessa dor,

Seca essas lágrimas.

Transforma esse cinzento em AZUL,

Em VERDE,

Ou AMARELO!

Não te afogues nessas lágrimas.

Nada para a margem,

Lá encontras um caminho,

Seco e florido á tua espera.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Às vezes...

Às vezes sou uma tempestade de inverno.
Às vezes sou uma tormenta de verão.
Às vezes deixo a minha vida noutras mãos.
Às vezes deixo-a com a solidão.

Às vezes sou um rio desejoso de chegar ao mar.
Às vezes sorrio esquecendo os problemas.
Às vezes apetece-me jogar.

E há tantas coisas com que me preocupo,
Outras que nunca esquecerei.
Muitas por pronunciar.

Sempre que o meu mundo se converte numa memória,
Cada segundo é uma história!
Pouco me importa o que dirão...
Pois não sabem quem sou...
Eu sei quem sou.

Às vezes gostava de ser errante.
Às vezes preciso que todo o mundo me queira
E mesmo assim, às vezes quero mais...

Às vezes entrego-me sem medo dos sentimentos,
Às vezes escondo-me atrás de uma armadura de ferro.
Às vezes provoco dor...

E há tantas coisas que vagueiam na minha memória.
Momentos de derrota...
Momentos de vitória...
Muitos medos que ainda retenho na solidão.

Não me importo o que dirão...
Não sabem quem sou...
Eu sei como sou.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Sentes...

“Se te sentes só,
é porque ergueste muros
sem vez de pontes”.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Gota na solidão.


Somos só eu e tu.
Pergunto-te porque me molhas...
Tu respondes "porque me secas"!
Eu quero que me deixes ir,
Mas obrigas-me a ficar.
Peço-te para me deixares sozinha.
Tu insistes em estar comigo.
Queres que fale,
Quando o que mais quero é estar calada.
Sinto-te...
Porque dói tanto sentir-te?
Quero fugir de ti,
hoje não te suporto.
Mas sei que amanhã vou querer o teu aconchego.
Deixa-me caminhar entre estas gotas de solidão,
na ânsia de encontrar aquilo que procuro.
Amanhã correrei para ti,
como uma criança corre para
os braços da mãe.
Amanhã espera por mim...
Mas agora deixa-me ir.