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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Portas esquecidas


(Fotos Rabialba)

Aquela Porta
"O tempo segue, caminhando lento.
Ignorando minha maior verdade
Nessa cruel espera moram as horas
Alheias a dor da imensa saudade
E num turbilhão, as lembranças.
Intensas refletem nos meus versos
Ferem, reavivando os sentidos.
Trazem velhos sonhos já dispersos
Não demora, porque hoje preciso.
Ver a saudade viva no teu olhar
Aninhada, protegida em teu peito.
Quero ouvir outra vez, teu respirar.
Dividindo teu olhar, já concluo.
Se tiver o brilho do teu sorriso
Chovendo assim em minha seara
Tenho tudo, e de mais nada preciso.
Quebra as amarras, viole os sentidos.
Revive o sonho, sem pressa de ir embora.
Quando trancares aquela porta, por favor.
Sem nenhum medo, lança a chave fora."

domingo, 23 de janeiro de 2011

Tia e Primas

Sempre que a saudade bater, podem vir espreitar!







Um pedido especial

Tia e Primas, aqui estão as fotos que pediram.
Espero ter acertado na casa!
Beijinhos a todas.




(Fotos Rabialba)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Casas esquecidas no tempo





(Fotos Rabialba)

Em algumas ainda entrei...

Noutras apenas me sentei nas escadas ou na soleira da porta...

Mas todas elas fazem parte das minhas recordações de criança.

sábado, 11 de dezembro de 2010

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Lluvia Cae

Recordar tempos que não voltam,

Mas que estarão sempre presentes na minha mente!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Despedida...

No Azul te conheci...
No Vermelho me despedi.
Como dói a despedida...
Custa tanto dizer Adeus!
Tanto sorriso...
Tantas partilhas...
Demos vida por vida.
No final...
Lágrimas,
Recordações,
Saudades.
Ficaram coisas para fazer...

Que nunca caiam as pontes entre nós.

Que nunca deixe de existir esse teu SORRISO.

Obrigada por tudo...
LB

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Chamas Ardentes

Percorre-me o corpo aquele arrepio doentio...
Varre-me a alma...
Queima-me o coração.
Vira-me do avesso como o vento num dia de temporal.
Fico exausta!
Sinto o mar de chamar a lavrar pelas minhas veias.
Pergunto por ti frio...

Onde andas?
Preciso que arrefeças este Ser.
Nele apenas permanece medo,
Juntamente as minhas insensatas perguntas
como estas lágrimas em debandada por labirintos
de fogo dos quais jaz a nudez branca do meu corpo por ti.

Mas quem chama por mim?
Nem sinal de resposta...
Fico na obscura inquietude do meu funeral de cinzas
Que a muito custo teimo respirar.

Saberei, sem saber o que é um mar de chamas?...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Porque a SAUDADE existE

"A primeira saudade é a de um bem-estar fulgurante e tranquilo, de uma sensação que inunda alma e corpo por dentro e que nos leva a sentir que nada está fora do seu lugar, que se está certo nesse lugar e certo na relação de um com o outro, que tudo é musical e luminoso, que a harmonia está numa compreensão íntima a vir de uma tensão permanente de ternura, inteligência, sensibilidade e desejo.

A segunda saudade é a de ver e ouvir, de perto, de se estar ao pé um do outro, de haver olhos que se olham, caras que se vêem, risos deslumbrados que se têm, palavras que se dizem ou é como se fossem ditas, gestos que se fazem ou apenas se esboçam, e de se sentir que nisso se é naturalmente intencional nos recados que se dão por cada um desses meios, como se é naturalmente capaz de adivinhar e de decifrar tudo o que se quer realmente dizer.

A terceira saudade é a que se liga aos momentos mais importantes que se vivem, passeios e paisagens, deambulações, pessoas que se passam a conhecer, coisas que se contam, confidências repentinamente tornadas necessárias, sonhos e palpites, expressões que se surpreendem, efeitos de luz, flores, ruídos do campo e do mar, músicas tantas vezes ouvidas quando se atravessa a noite, cores e sabores, emoções em que o íntimo e o de fora se combinam de um modo único e partilhado como não se pode acreditar que a mais ninguém tenha acontecido, em que o que já se passou continua a estar presente e é cada vez mais intenso e activo.

A quarta saudade é a do contacto da pele: mãos que se apertam e percorrem, afagos que se aventuram, bocas que se encontram, sensações que se sabem de cor e se querem inesgotáveis, corpos à beira de explodir ansiosos, tanta fome e tanta sede, liberdade e pudor, impaciência e timidez, contenção e promessa, tudo a renovar-se e a tornar-se ilimitado a cada momento, repassado de uma doçura que nenhumas palavras conseguem descrever.

A quinta saudade é a da vida prática do dia-a-dia, ideias e projectos, tentativas e certezas, coisas que têm conta, peso e medida, espessura, ritmo, existência concreta, efeitos reais, coisas que são vão criando porque se está a remar na mesma direcção e se tem a consciência disso, coisas que são reciprocamente induzidas e aperfeiçoadas, combinações de risco e de bom senso que se sente que resultam graças a esse empenhamento e a uma alegria da seriedade com que são postas em andamento.

A sexta saudade é a que faz com que um esteja sempre a falar com o outro e a fazer parte dele, a respirar nele e a existir nele, veia a veia, fibra a fibra, tecido a tecido, músculo a músculo, a ter de dizer-lhe sempre do seu amor das maneiras mais variadas e a propósito das situações mais diversas, com efeitos de luz e sombra, veemência e desvario, ansiedade e contentamento, sem nunca querer ou ser capaz de distinguir esse amor da própria vida e a só conseguir ser feliz assim.
A sétima saudade é a mistura transbordante de todas as anteriores, criando uma dimensão em que cada uma delas leva a todas as outras e recupera todas as outras, como se estivesse a olhar um caleidoscópio, ou como se estivesse dentro dele e se fosse parte activa desse universo de reflexos interactivos, de brilhos, jogos de espelhos, formas coloridas, tempos sempre em mutação, espirais alucinantes mas invariavelmente ancoradas no coração das coisas e no coração propriamente dito e uníssono: é uma saudade que funciona como uma espécie de cursor no tempo, deslizando para trás e para a frente, girando em todas as direcções, revivendo as anteriores, inventando as próximas, entrançando umas e outras, agarrando-se a esperanças, sobressaltando-se com acasos, e sofrendo, sofrendo, sofrendo, só de pensar que se pode estar a uma distância de dias ou de apenas umas horas. "
Vasco Graça Moura in "Meu amor, era de noite"

domingo, 14 de março de 2010

Cheiros da minha infância...

Cheiros de saudade...

Cheiros que me acompanharão pela vida fora.

Cheiro da minha mãe ao acordar-me pela manha!

Cheiro do pequeno-almoço daquela casa que já não é nossa.

No inverno...
O cheiro do fumo que sai pelas chaminés...
O cheiro da lareira acesa...
O cheiro da água que está aquecer ao lume num lato.
O cheiro do fumeiro...
Da carne assada...
Da rua molhada...
O cheiro do pêlo molhado do meu cão que teimava em por as patas sujas em cima de mim.

Na primavera...
O cheiro da erva a crescer...
Das flores a florescer...
Das árvores a desabrochar...
Da casa arejada...
Das ruas com flores...
Dos animais espalhados pelos lameiros...

No verão...
O cheiro das festas...
O cheiro dos fardos,
Do feno,
Da erva seca,
Do trigo...
O cheiro dos emigrantes.
Dos livros novos no regresso a escola.

No outono...
Cheiro da vindimas,
Das merendas...
Do vinho no lagar.
Das folhas em decomposicão.
Das rimas de lenha acabadas de empilhar.
Das castanhas assadas.
Das pessoas nos serões em casa um dos outros!

Há cheiros que marcam uma vida!
Há cheiros que nos acompanham pela vida!